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                                                                 1.1  – A higiene do corpo
 
Instrumento de trabalho e de reprodução, o corpo não mereceu, na aldeia, sempre, a devida consideração, fosse pró razões apropriadas de uma filosofia judaico-cristã, fosse por condicionalismos de outra natureza.

A elementares noções de higiene faziam utilizar a água numa ligeira ablução matinal feita no lavatório existente no próprio quarto de dormir ou no canto da sala comum, ou então à porta de casa, utilizando-se para o efeito uma característica bacia de folha de flandres.
Não era habitual lavar as mãos antes de comer embora isso acontecesse quando a natureza do trabalho o exigia.
O banho geral não era prática corrente e só algumas vezes adolescentes e jovens se banhavam em águas de presas e açudes de ribeiro, mas este gesto tornava-se antes actividade lúdica.
Deve inserir-se aqui a lavagem da roupa doméstica feita no resguardo do pátio da casa ou do tanque ou lavadouro público.
E ainda o tradicional uso da barrela realizada no começo do Verão ou em Setembro para branquear a roupa encardida de muito uso. Eram tradicionais tarefas de mulher, penosas, que ela aliviava cantando, canções de reportório folclórico. Deve dizer-se ainda que as casas de habitação não possuíam instalações sanitárias ou estas eram muito precárias.

A escolaridade obrigatória, as instituições de saúde pública e os contactos provocados pela emigração trouxeram uma singular alteração nos comportamentos sanitários dos últimos anos.
 

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