Voltar 

   O Moínho
 

O moinho não é em Sernancelhe um espaço comunitário.
É sempre propriedade privada, às vezes de consortes, que habitualmente entregavam a moleiro de ofício a gestão do engenho em troca de uma renda.
O moinho é um lugar de referência do universo da aldeia, às vezes não tanto o moinho distante, como o moleiro que percorre a aldeia recolhendo grão e distribuindo a farinha do primordial alimento que ninguém dispensa - o pão.

A tradição não conserva memórias de moinhos de vento que deverão ter existido e hoje quase se perdeu até o uso dos moinhos de água que há bem pouco tempo laboravam à beira de quase todos os cursos de água.

Os moinhos distinguiam-se bem na paisagem ribeirinha, pequenas construções de planta rectangular, com telhados de duas águas que restos de farinha faziam branquear. Recebiam através de um cubo inclinado a água da levada e voltavam a despejá-la depois de lhe captarem a energia que movimentava a mó.

Estes moinhos sã do tipo de moinhos de roda horizontal, de rodízio, com penas. Isto é, o engenho motor-o-rodízio é uma roda horizontal, de cerca de 1 metro de diâmetro constituída por uma série muito numerosa de palas de madeira dispostas radialmente.
A potência do jacto de água que bate directamente nas palas constitui a energia hidráulica que produz superiormente o girar da mó.

Actualmente existem em funcionamento apenas dois moinhos ambos no rio Távora.
Todavia, a memória de velhos moleiros e as ruínas arqueológicas permitem um levantamento exacto dos moinhos que no último século moeram o pão de muitas gerações. Nas margens do Távora entre a Ponte do Abade e o limite a norte, ao fundo de Escurquela existiam cerca de 30 moinhos há algumas dezenas de anos.

Os ribeiros da margem direita movimentavam várias mós.

A ribeira da Tabosa possuia recentemente 6 moinhos. O rio Medreiro tinha um moinho quase na sua nascente, e 12 junto ao sítio do Medreiro, mnúsculo povoado a norte da Vila. A ribeira de Ferreirim entre o Seixo e a Vila da Ponte mantinha 10 moinhos.
Na margem esquerda da ribeira de Guimar ou de arados que nasce na serra da Lapa e atravessa a povoação de Penso para desaguar no rio Távora existem três moinhos e mais adiante, a ribeira de Forca ou Aviasca tem 2 moinhos logo perto da nascente que moerão apenas com aguas do Inverno.
Nos termos de Lamosa, na vetente Oeste da Serra da lapa um pequeno curso de água subsidiário do rio Paiva movimentava de Inverno três moinhos enquanto o curso do rio Vouga, nos termos de Quintela, fazia movimentar 9

 

  Voltar