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Lapa, serra encantada e feitiça


A serra da Lapa na realidade é um descampado de pedregulhos, e não os típicos montes  com cumes vertiginosos, ribanceiras profundas, ou mesmo  anfractuosidades concebidas pelas águas pluviais.

 

Parece que o "nome de baptismo" -  "Serra da Lapa" é um pouco desapropriado para esta serra. É sabido pelos entendidos
e peregrinos que tal território corresponde a uma plataforma velha, pedregosa e erodida.

O passeio ou a atracção à Serra da Lapa pelas populações é sobretudo pela causa devocional e cumprimento de promessas.

A devoção tem a ver naturalmente com a Senhora da Lapa, a santinha, que em tempo dos mouros (Almançor, um mouro mau segundo se consta) os desordenados cristãos tinham escondido, nas maiores entranha duma lapa, santinha esta que uma inocente pastora viria alguns séculos mais tarde a descobrir.

A lenda da Pastorinha
Diz a história que a imagem esteve ali, no local mais profundo da gruta, para cima de meio milénio, entre 983 e 1498. Foi a pastorinha Joana, muda, de doze anos, andando por ali a guardar um rebanho de ovelhas, introduziu-se nas fendas de um penedo ou lapa, onde avistou então uma imagem de Nossa Senhora. Ficando muito contente teve a intuição que essa imagem era de Nossa Senhora. A Pastorinha aproxima-se então, prostra-se e, extasiada, fica por muito tempo em fervorosa oração.
Ao levantar-se, a pastorinha Joana reconhece a pobreza em que se encontrava a imagem, com as vestes a desfazerem-se pela acção do tempo e da humidade. Então, fez logo ali um altarzinho, limpou a imagem e colocou flores em seu redor. À noite volta para casa, mas o seu coração fica preso àquela gruta onde está o seu "tesouro".
No dia seguinte, a pastorinha leva-o na sua cestinha de trabalho.

Como se tornou hábito deslocar-se até à gruta, começou a dar nas vistas e a mãe, quando soube, ordenou-lhe que fosse com as ovelhas para outros pastos. Joana, ao ver-se privada das visitas à gruta, começou a levar a imagem na sua cesta. Assim, onde ela estivesse a imagem estaria presente.
Certo dia, Joana chegou a casa com a imagem na cestinha (como era habitual) e a sua mãe chateada por ela andar a perder tempo a fazer vestidinhos para a "boneca" atirou com esta ao lume. Por grande desespero, a miúda que era muda começou de imediato a falar, gritando: Mãe essa imagem é Nossa Senhora!
Diz a lenda que a imagem não se queimou, mas nesse preciso momento a mãe ficou com um braço paralisado.

O arrependimento surgiu e depois de ambas rezarem, tudo voltou à normalidade. Todo o sucedido serviu como sinal de Nossa Senhora para que a imagem fosse recuperada.
O pároco da freguesia, sabendo desta história, pediu que a imagem fosse colocada na Igreja Matriz, para não ficar naquele ermo, só que a imagem desaparecia de lá e aparecia na gruta onde a Nossa Senhora queria ser venerada.
 

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