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Os Miradouros O Lagarto
 
Existem quatro miradouros, cruzeiros implantados nos quatro cantos cardiais, à volta do recinto religioso. São miradouros direccionados para dentro, ou seja, situados na rota dos caminhos de chegada dos romeiros vindos das quatro partes do mundo. Os cruzeiros  marcam o sítio preciso de onde os recém chegados devotos primeiro avistam a Capela da Nossa Senhora da Lapa.

Finalmente encontra-se um grande bicho, lagarto gigante, crocodilo, jacaré ou o nome que lhe queiram chamar, e que tem andado aos tombos, e ver o seu significado ou valor diminuir com o evoluir do tempo; enfiado em duas argolas de metal e suspenso em correntes, esteve inicialmente pendurado no templo, à vista de todos os visitantes e fieis; depois passou para uma divisão escondida; hoje, restaurado e todo pintalrado de verde, está guardado no alto dum recanto das traseiras.

Coitado do lagarto que foi apanhado por tolo. A cena situa-se perto da Lapa: uma determinada tecedeira que tinha ido buscar lã para o seu tear, ia seguindo o caminho da serra.
 
Em pleno descampado surge-lhe pela frente um temeroso lagarto que então a passou a perseguir. A tecedeira, provavelmente adolescente, cheia de medo perante tão grande perigo, é de repente alcançada por divinal inspiração.

E assim , abrindo a tampa da cesta de verga que trazia por baixo do braço, começa então (a jovem) a lançar ao voraz bicho, um a um, os novelos de lã de várias cores que trazia na cestinha. Inocente, mas prevenida, esta guardava as pontas de cada um dos novelos atadas nos dedos das mãos.

Lambão e seduzido por tanta cor dos fios dos novelos, mordendo novelo atrás de novelo, o lagarto acaba por se empanturrar. Dá-lhe então a lazeira, e esvai-se-lhe a vontade.

 

Então puxando-o pelos fios feitos trela, mansinho como um cordeiro, a tecedeira arrasta o temível bicho até ao terreiro de Nossa Senhora da Lapa.

 

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