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Sernancelhe
 
O concelho não possui história recente. Desde há muitos séculos que os seus vales e montanhas têm conhecido diversos povos e culturas. Ficaram os vestígios desses tempos passados do neolítico, as construções grandiosas que assinalam a fé cristã, marco da presença romana, várias lendas de mouras encantadas e a
cronologia de muros velhos e abrigos de rochaque se referem aos mouros.

No cimo da vila o que de imediato nos chama à atenção é a Porta do Sol e aquilo que a acompanha ainda: traços de casaria de um lado e do outro, as escadinhas, os estreitos arruamentos novos, a zona de canteiros ajardinados, o parque das merendas e o Monte do Senhor do Castelo.
A Porta do Sol, aberta na cerca da medieva muralha do castelo pode ser a primeira imagem a olhar numa proveitosa deambulação pela vila, a querer mostrar a memória das origens, nem sempre plena de clareza e ilustração, construída em tempos imemoriais pelos íncolas das cabanas neolíticas, sucedida pelo vestígio mal visível de um castro da Idade do ferro, continuada provavelmente por um templo romano, por um templo suévico ou visigótico e assinalada pelo tempo da guerra dos muçulmanos que se derrama no imaginário popular através de tantas lendas e outras narrativas.

 

Localizava-se provavelmente dentro da muralha a capela de S. Pedro, peça artística religiosa de que há memória, ainda que
 sem vestígios. Hoje por alcantilada escadaria chegamos ao monumento ao Coração de Maria, no alto do Monte do Senhor
do Castelo, onde se conserva referência gravada de todas as freguesias do concelho, datada de 1957.
Sernancelhe é, pois, um povoado com raízes em tempos remotos, testemunhadas de muitos modos. Foi uma terra com muitos privilégios, como se pode inferir no número de moradores fidalgos que aqui assentaram arraiais e construíram os seus palácios. São inúmeras as casas nobres, como se deduzirá de um ameno e aprazível passeio pelo interior da Vila.

Subindo junto ao cruzeiro do Senhor do Castelo, um templete do século XVII, que acolhe sob o seu tecto um Cristo gótico, transpõe-se a Lina de uma quase desaparecida muralha que conserva intacta a nascente e a norte os muros que foram o firme alicerce das torres certamente edificadas em pleno século XII, por D. Egas Gosendes, o rico homem que, em 26 de Outubro de 1124, outorgou a esta Vila o primeiro foral. Já o testamento de D. Flâmula, no século X, e o inventário da condessa Mumadona, no século XI, documentam a existência do castelo, hoje praticamente perdido nas brumas da memória.

E o seu primeiro foral régio foi outorgado por D. Afonso II, em 1220, a confirmar sem alterações o anterior. Em 10 de Fevereiro de 1514, D. Manuel I dá-lhe novo foral, que não traz significativas alterações em relação aos anteriores, a não ser algumas disposições a obrigar lavradores com posse de bois e vinicultores de notórios recursos.

Do alto do monte, divisa-se, entre sul e nascente, em território planáltico o primeiro povoado histórico de Sernancelhe, enquadrado pela sumptuosidade discreta
 da igreja matriz, cujo recinto envolve, aqui impropriamente denominado por adro,
foi o palco privilegiado da actividade cívica do burgo, a grande praça da convivência comunitarista até ao alvorecer do movimento liberal, que a vila e seu alfoz recusaram de pronto.

A igreja matriz, dedicada a S. João Baptista, o padroeiro da Vila, é um gracioso templo românico, quase coevo da fundação
 da nacionalidade e, sem dúvida, um dos mais atractivos no género nas províncias da Beira Alta e da Beira Baixa.
Arquitectando um recolhido espaço de solilóquio com o transcendente, formando um dignificante ponto de encontro e de convívio da comunidade crente, constituindo imbatível baluarte de defesa contra o inimigo, torna-se por isso, o mais
 significativo monumento do aglomerado: é uma edificação implantada, nos finais do último quartel do século XII (1172, da era cristã: a data que se vê, “E. MCCX”, em silhar no lado norte da cabeceira, refere-se à era de César), sobre os escombros de templo pré-românico envolto por necrópole. Desta ainda sobejam abundantes marcas em afloramentos
 rochosos, tais como sepulturas antropomórficas e tampas tumulares medievais com variada decoração. De entre as

últimas, destaca-se uma tampa lavrada com um motivo antropomórfico geometrizado.
Tal peça é de inegável interesse, dado o tipo de representação gravado ser comum às placas do período megalítico, o que pode denotar uma persistência dos
 rituais mágico-religiosos do paganismo associado a práticas cristãs. A traça românica de origem, constitutiva do todo arquitectónico, sujeito a alterações que o tempo e os temporais exigiram, está presente na invulgar cachorrada que cerca a capela-mor, em que se incrustou uma teoria dos mais diversos pormenores escultóricos e os mais belos motivos artísticos, que atestam abundantemente os importantes e significativos momentos da vida agrícola ou das cenas familiares.
Resiste ainda a feição românica no semicírculo de esferas que percorre o arco-cruzeiro, na multiplicação de siglas e na peculiaridade do pórtico. Este é encimado
 em arco de volta perfeita e coroado por um óculo de morfologia estelar quadrilobada, constituída por três arquivoltas (apoiadas em três colunas capitelizadas de frustes cilíndricos, coroados por capitéis de pequenas volutas), de que a central é formada por uma teoria de arcanjos de asas abertas e em que as cabeças de
 dois se encontram ao centro e depois os outros estão dispostos de modo a que os pés de um sirvam de dossel ao imediatamente seguinte. De um e do outro
 lado do portal, topam-se dois nichos-baldaquinos com raros espécimes escultóricos, a metade restante do anterior conjunto de quatro, que formaria um rico apostolado, invulgar no românico nacional, objecto que fora de sanha destruidora das tempestades e coriscos, a que naturalmente estes imóveis se encontram expostos, e que incidira em determinada ocasião na parte superior da fachada, tendo-a danificado grandemente. A tese da trovoada demolidora é confirmada
 pela diferente natureza material do tímpano e da parte superior da frontaria, pela compleição do óculo e pela estrutura dos pináculos – elementos de acrescentamento mais recente. Quanto à identificação das esculturas dos nichos-baldaquinos, os autores falam claramente dos quatro evangelistas acrescidos
 dos apóstolos Pedro e Paulo, o que parece contradizer exame mais atento: seis as esculturas, mas sim, de seis apóstolos, sendo um certamente o apóstolo
 Tiago, o peregrino da bolsa. Dois dos evangelistas não são apóstolos no sentido técnico e estrito, pelo que não podiam constar deste conjunto quando inteiro.

O pelourinho manuelino do tipo dos de gaiola, de muito alto fruste granítico, ostenta a data de 1554, precisamente na base da sobredita gaiola que encima o monumento, simbolizador da identidade municipal. Este elegante monumento do século XVI é “dos mais interessantes da região não só pela sua feição artística mas também pela sua altura descomunal” pois mede mais de 9 metros e meio.

Ergue-se perante a casa da família Fraga de Azevedo, obra de boa cantaria, que foi em tempos bem recuados a Casa da Câmara e da Cadeia. Mas, por melhor e mais proveitosa análise do monumento, sigamos de perto o trabalho informativo de Júlio Rocha e Sousa, com as alterações que a nossa pena achou convenientes.
O pelourinho, com a actual configuração, resulta de uma reformulação no reinado de D. João III, em que perdeu a sua função de picota-prisão. No início da década de 50, do século XX, mais precisamente em 1952, o mestre Manuel
Domingos Chaves vem a executar a coluna na gaiola com os colunelos que lhe faltavam devido à erosão do tempo. Opera também alguns trabalhos de
consolidação no monumento.
A casa da Comenda de Malta, de fachada corrida, a mais antiga das casas solarengas que embelezam a Vila, mesmo depois de recuperada para unidade de turismo de habitação, mantém o aspecto de severa habitação de freires e comendadores de avultadas posses que prestaram à comunidade relevantes serviços.  Está inscrita no seu brasão a data de 1611.
Existindo em Sernancelhe a Comenda da Ordem de Malta desde os primórdios da nacionalidade, outra sede ou outro palácio dever ter tido, naquele lugar ou noutro. A ordem não criou um estilo arquitectónico próprio. Adoptou o estilo corrente ou em voga em cada lugar e em cada século. Aquele, no entanto, que mais a influenciou ou que melhor se adaptou, terásido o românico, numa época, e o barroco, noutra.
Por conseguinte, o último edifício da Comenda de Sernancelhe é de austera nobreza e de sobriedade imponente.

Foi levantado nos alvores do século XVII, mas com lavaios ainda no período quinhentista, como o revela o entono do seu fácies e algumas portas em bisel.
Toda da fachada corrida, de granito amarelado e cornija condicente, é enobrecido pela incrustação dos símbolos da sua missão religiosa e militar da defesa da religião, da pátria e dos peregrinos e humildes. Lá se podem
mirar, pois, as quatro bocas de canhão: duas maiores e de colarinho rendilhados e outras duas, mais pequenas e de colarinho sem qualquer lavor. Estas duas encimam a porta da capela privativa.
A capela foi construída em época diferente da casa. Sobrepuja a frontaria o brasão do Comendador (que não o da
Comenda ou da Ordem) que terá mandado construir esta parte do edifício.
O brasão tem a data já indicada de 1611 e é esquartelado. O primeiro quartel é de Homem, o segundo de Vasconcelos, o terceiro (também esquartelado por
sua vez) alia as armas antigas e as modernas dos Limas e o quarto é a Bandeira, referente aos Sobrais, que receberam dos Avelares. Sainte do brasão, nas
quatro direcções, existe uma cruz que aparenta ser dos Soares de Albergaria, se não da Ordem de Malta ou mesmo da Ordem de Cristo.
A casa, se exceptuarmos as janelas, tinha uma arquitectura muito semelhante à do Paço dos Sobrais, também denominado com Solar dos Condes da Lapa e
Barões de Moçâmedes. Os Sobrais estabeleceram-se aqui por Fernão Peres de Soveral, que instituiu o Morgado e a capela de S. Teotónio de Sernancelhe.
A influência das arquitecturas deve ter origem nas ligações havidas entre a família e a ordem.
A casa tem, ao nível do rés-do-chão, um enorme quadrilátero, à laia de claustro, com diversas portas para as dependências
ao mesmo nível e para o quintal, à retaguarda, com um poço ao norte. Dali, à direita e à esquerda de quem entra e observa
o claustro, ascendem dois lanços de escadas que dão para o piso superior e desembocam numa plataforma em varanda corrida, com janelas abertas, a fazerem
de mirante para a vasta, artística e bonita Praça de Sernancelhe, antes apodada de Largo do Adro ou Largo da Igreja e que por via da onda inovadora do
regime post-monárquico passou a denominar-se
Praça da República.
Do outro lado da dita Praça da República, onde hoje se encontra o edifício da antiga Escola Primária, construído nos
primeiros anos do Estado Novo (postergando para memória brumosa os vestígios do imóvel antigo), estava a “Casa da
Tulha”, também da Comenda, ostentando no frontispício o seu brasão de nobreza.
Também este brasão é esquartelado. Tem no primeiro e quarto quartéis uma contrabanda abocada por duas cabeças de
serpe; no segundo e no terceiro, as três faixas veiradas de prata e vermelho dos Vasconcelos.
O brasão esteve muitos anos olvidado perto do chafariz e recreio sul da referida Escola Primária. Casual ou ironicamente recolheu à “cadeia”, nos baixos dos
antigos Paços do Concelho.
A Casa da Tulha, como o nome insinua, era de serventia: abrigava o celeiro e a adega. Funcionava como o centro de administração e de recolha de vasta casa agrícola que se estendia por todas as paróquias do seu padroado e ainda por
outras de outros concelhos.

Lançando o olhar sobre o Norte, no sopé do Monte do Senhor do Castelo, deparamo-nos com a Casa dos Condes da
Lapa e Barões de Moçâmedes, mal podendo salvar-se a ruína crescente, com o seu brasão inscrito no muro sul, apagando totalmente a imagem dos seus
primordiais titulares.
Caminhando para nascente, encontramos o Solar dos Carvalhos, moradia fidalga dos meados do século XVIII, que foi pertença de Paulo de Carvalho, tio do Marquês do Pombal. Os panos do muro são caiados, mas emoldurados por painéis
de granito amarelado, da região – com o que se nota um harmonioso e equilibrado jogo de luz e sombra. Os dois corpos do palácio, de linhas tão
proporcionadas, tão simetricamente ligados pela capela barroca, que proporciona ao imóvel um tom
de religiosa nobreza e guarda pinturas de Pascoal Parente.
As ruas da vila vestuta de Sernancelhe transportam-nos, por Quelhas e ruelas, onde moravam outrora camponeses e
artesãos, para o reino do campesino. Assim, por detrás do referido Solar dos Carvalhos, que o ocultou da igreja matriz, fica o mais antigo bairro de residência
que resta à face do burgo, de casas baixas e muitas com balcão de pedra. Por ali desce o caminho que conduz ao rio Medreiro, linha de água de pequeno
curso, mas onde pontificavam os moinhos que, há bem
pouco tempo deixaram de moer e a ponte românico-gótica, provavelmente reconstruída nos finais do século XVII ou nos alvores do século XVIII, que dava
para as quintarolas de Cardia, mas hoje de serventia quase inusitada.
O aro do povoado mais antigo, se prossegir-mos, escancara contra o nascente uma janela cuja cantaria lavrada mal se
insere no muro rústico. Remontam a um século XVII recuado as arestas biseladas a patine e o tom de antiguidade. Um
cedro gigante parece insinuar um contexto de aceso romantismo e sugere a evocação de cenas de bem acilado idílio.

Do outro lado do caminho, sobressai um pórtico de boa cantaria, cuja cornija de bom lavor, relíquia da edificação geminada da perdida mansão aludida janela que uma forte tradição liga à família do Marquês do Pombal, ilustre e controversa figura da vida política portuguesa.

Ali pertinho, um nicho com uma Senhora da Piedade parece apontar um pequeno largo com um cruzeiro – a Cruz da Calçada, lugar de referência para o antigo caminho, porventura decalcado sobre uma estrada romana, que conduzia ao Medreiro as lavadeiras e as mulheres que carregavam a água da fonte do mergulho, de arcatura geminada, de feição românica, embora de construção ou de recuperação e adaptação tardia, aberta sobre a margem direita do rio, junto da capela alpendrada de Nossa Senhora dos Prazeres.

Quem reentrar no Centro Histórico, pela corredoura donde mirámos a capela da Senhora dos Prazeres, percorrerá a Rua António Ribeiro Saraiva, honra do
grande diplomata, escritor e poeta, político que não se rendeu ao triunfo do movimento liberal, acérrimo crítico dos homens que circundaram o vencido
D. Miguel, sobrevivente que se deixou finar na amargura do exílio de Londres de 1890. Sua casa de família, ao lado direito de quem sobe, é simplesmente uma abastada mansão em
cujos corpos conexos se inscrevem duas janelas de um manuelino tardio, umas portas de arestas biseladas e escadarias de pesadas guardas a lembrar o também pesado século XVII. Uma pequena capela, com brasão de família estabelece ligação com o adro, praça onde se volta quase instintivamente.
O Centro Histórico, no dizer de Cândido de Azevedo, “com a futura biblioteca e o artístico e altaneiro pelourinho em frente, a admirada e invejada Igreja Medieval ao lado; o Palácio dos Carvalhos (evocativo do Marquês do Pombal) a nascente; o Auditório Municipal – antigo palácio dos Cortezes e Câmara Municipal – a deslado; e as ruínas veneradas do Palácio dos Soverais ao norte”, com a casa da Comenda, - constutui um “raro conjunto de Monumentos cheios de grandeza e carregados de história e arte, que lhe dão um ambiente de superior encanto e um halo de carinho e pulcritude que transportam às regiões do sonho e aos paramos da felicidade” (Passe a hipérbole saborosa!).
No século XVIII, a vila cresceu para sul. Fidalgas casas de longas fachadas ajudam a definir um reticulado de imprecisos contornos que teima em reservar neste perímetro urbano uma considerável mancha de quintais para cultivo. Ao fundo do Castelo, onde entroncava a calçada que ascendia de Vila da Ponte, por entre soutos, mereceu honras ao largo que enquadra o palácio dos Corteses (cujo brasão se encontra totalmente liso, porque totalmente picado a quando
da implantação e proclamação da República), em que esteve instalada anos e anos a Câmara Municipal.
Hoje o edifício, devidamente recuperado e adaptado, ostenta o título de Auditório Municipal e como tal tem prestado já um rol de excelentes serviços à causa da cultura. Integra o complexo do Centro Histórico da vila que passou recentemente por uma série de intervenções,
por virtude da execução do plano de pormenor para o efeito elaborado e que logrou estabelecer a simbiose entre o que aos sernancelhenses foi legado como fruto da tradição ancestral e aquilo que o futuro de convívio e animação lhe queira proporcionar, na recordação agradável do que foi a vila imaginada e edificada pelos seus avoengos. O Auditório Municipal pretende ser outrossim o germe de outra série de realizações que o Município tem em curso na zona contígua ao centro Histórico: o Centro de Artes Municipais, com a casa do artista, o museu, a biblioteca, o espaço infantil e outros.
Do referido largo para a Avenida Abade Vasco Moreira, ilustre investigador, que teve o berço em Sernancelhe e cuja

história escreveu na monografia publicada em 1929 e cuja edição facsimilada a Câmara deu à estampa em 1997.
Sernancelhe continua como Vila que se entrega ao Comércio e aos Serviços, o ponto de confluência de um bom número de pessoas que se dedicam, uns a uma agricultura de subsistência, outros a uma agricultura mecanizada, o cruzamento de uma já significativa actividade industrial. Enfim, é uma vila que teima em
persistir neste interior cada vez menos inóspito!
Descendo a rua Dr. Oliveira Serrão, teremos: a um lado, a sede da Associação dos Desportos Náuticos de Sernancelhe (onde durante muitos anos esteve
instalada a Casa do Povo), a nova sede dos Serviços Locais da Segurança Social (de controversa arquitectura, embora muito funcional), o edifício dos Correios (obra de 1937) e o da Portugal Telecom (um edifício que mais parece uma mal ajeitada capela); do ouro, as futuras instalações do Centro de Artes Municipais, legado do Senhor Herculano da Costa Alves ao município, a Casa do Lavrador e o Posto de Turismo.
Quem entrar na vila, provindo de Lamego ou de Viseu pelo Fundo do Granjal, fica surpreendido com o renovo urbano. O novo edifício dos Paços do Concelho, desafogado equilibrando-se na sua envolvência entre a arquitectura tradicional e algumas unidades de moderna construção, arvora-se em símbolo da transição
audaz de um tempo velho de marcas indeléveis para um futuro de horizontes mais rasgados e pródigos dos benefícios da civilização e da cultura. É claro que deixamos para trás, que não o olvido, espaços de produção industrial, de comércio cooperativo, de unidades de convívio e lazer, da zona de armazenagem e de trabalho dos funcionários do exterior do município.
Mas, enveredando pela Avenida das Tílias, passamos pelo Largo de Aquilino Ribeiro, prolífero e fecundo escritor destas bandas beiroas, onde se implantou a
sede da Junta de Freguesia, ao pé do morro da forca, onde eram executados os condenados à pena capital. Dão vida a este centro vital os restaurantes e cafés,
as agências bancárias, o pequeno Hospital da Misericórdia (onde hoje funciona o Centro de Saúde), o Lar da Terceira Idade, as Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. A Piscina Municipal com seu agradável perímetro envolvente de desporto e lazer permite-nos uma saída rápida e discreta, seja para a variante da
Estrada Nacional nº 229 rumo ao Douro ou à sede do distrito, seja para a ermida da Senhora de Ao Pé da Cruz.
Em sentido contrário, deparamo-nos com uma vistosa e moderna entrada na vila, enquadrada por uma funcional rotunda, donde poderemos derivar para uma
nova zona residencial e comercial, encimada pela Escola Profissional de Sernancelhe.
Esta instituição de ensino e formação profissional foi criada em 29 de Julho de 1993 e está instalada, desde 27 de Setembro de 1993, no edifício que foi
construído para o Colégio do Infante Santo, criado em 1966, para a Escola Preparatória de José Gama e Castro (criada em 1971), para a Escola Secundária
de Sernancelhe

(criada em 1975), para Escola C+S, resultante, em 1988, da fusão das duas anteriores. Dela se divisa o novo espaço organizado para a feira quinzenal, o terreno para o novo Centro de Saúde e outros equipamentos de utilização colectiva, novos bairros habitacionais e comerciais, a Ponte do
Rio, com a capela, a fonte e a via pedonal, já referidas.
Mais adiante, a rua de Jacou, em consequência da celebração do acordo de geminação com aquela comuna francesa, do distrito de Monpellier, orlada de um harmónico conjunto residencial e comercial, encaminha-nos ou para o pavilhão desportivo Padre João Rodrigues (ilustre missionário sernancelhense, diplomata e comerciante no império de Japão e no de China, formado na Casa da Companhia de Jesus em Goa e sepultado em Macau) e praça da mesma denominação, com o monumento evocativo da presença dos Portugueses no Oriente; ou para a Escola EB.2,3 de Sernancelhe (antiga Escola C+S), instada aqui na Veiga desde 20 de Janeiro de 1992; ou ainda, para nova unidade industrial de peso em 

termos de trabalho em granito (ladeada pelo esquecido nicho do Senhor da Veiga, a quem os romeiros e os feirantes tiram respeitosamente o chapéu) e a saída da vila rumo quer a Penedono quer ao Estádio Municipal da Pedreira e ao Campo de Tiro.
O perímetro urbano alargado da vila que agora parece findar por aqui, junto à Escola EB.2,3, na Praça da Paz e da Amizade, vai ter continuidade e a sua expansão também para este flanco, num futuro muito próximo, quando se der
execução ao plano geral de urbanização de Sernancelhe, que se encontra em fase de elaboração para conveniente apreciação e posterior aprovação.
Subindo a encosta da Serra do Pereiro, rumamos à Senhora de Ao Pé da Cruz, já evocada, não sem antes invocarmos, na sua pequena ermida, o arcanjo S. Miguel

para a denodada luta diária contra as forças do mal que andam no mundo para a perdição das almas. Os íngremes e turtuosos caminhos de antanho
transformaram-se, com o esforço dos sernancelhenses, em estrada de melhor acesso, facilitando o passeio e o convívio da tarde domingueira.

   

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