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O Prestígio das feiras
 

Todas as cartas de feira outorgadas por D. João I mostram uma preocupação das localidades mais próximas daquela onde se instituía uma feira e de favorecer o tráfico mercantil interno mediante franquias e privilégios.
Os feirantes alcançam, então, vantagens consideráveis durante o período em que se realizam certas feiras franqueadas. Era-lhes concedido andarem armados nas feiras, servirem-se de qualquer montada de sela ou de alabarda, não serem constrangidos a qualquer serviço, nem seus animais serem tomados para cargas - nem que fosse a serviço d'el-Rei -, não só durante o tempo de feira, como também quando para ela iam ou quando dela regressavam. As imunidades jurídicas são igualmente ampliadas.
Os mercadores e feirantes não seriam demandados, acusados ou preços para qualquer crime, a não ser que tivesse sido praticado na povoação, no seu termo ou na feira. Nem tão-pouco seriam citados nem demandados por qualquer dúvida, salvo se ela tivesse sido contraída na própria feira. E os corregedores e meirinhos, tanto de corte como do Reino, só eram autorizados a aparecer nas feiras como compradores ou vendedores, e nunca para fazer correição. Deste modo se firmou uma nova modalidade de carta de feira, modalidade que perdurará durante largo período.
Nos reinados seguintes ainda o prestígio das feiras se mantém, se bem que a partir dos meados do século XV se notam certos indícios reveladores de uma próxima decadência. Avolumam-se as queixas apresentadas em cortes por diversos concelhos e algumas feiras

outrora   importantes decaem, quase se extinguem. Atribuía o povo tal decadência aos abusos praticados pelos rendeiros das sisas.
De facto, ela foi em parte provocada pelas exações dos siseiros, mas não é menos certo que foi também motivada pela evolução natural dum comércio que perdia o seu carácter periódico e errante.
   

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