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 d—Época Bárbara

Ao domínio dos Romanos, na Lusitânia, seguiu-se o de alguns povos bárbaros—Suevos (411) e Visigodos (412), os quais vieram das Gálias, atravessando os Pirenéus. Os últimos estenderam-se a toda a Península. Outros povos do Norte, todos mais ou menos bárbaros também, aqui se estabeleceram; mas, indicamos somente os Suevos e Visigodos pela sua mais demorada permanência. Os Visigodos chegaram a fundar um império que os Árabes esfacelaram, salvando-se as penedias das Astúrias, defendidas por um punhado de bravos cavaleiros, heróicos defensores dos restos dum colossal império, devastado e rapidamente subme­tido pelas patas da cavalaria árabe.

Cernancelhe, como parte integrante da Lusitâ­nia, seria subjugado então. Mas não devia ter sofrido alterações profundas o seu modo de ser social, além das ocasionadas pela ocupação. De costumes mais rudes do que os vencidos, inferiores moralmente, os Bárbaros pouco alterariam o estado que encontra­ram. Não impunham leis, nem instituições, nem cos­tumes, nem língua ou religião: aceitaram os dos vencidos. Pouco ou nada, pois, podiam modificar o ambiente estabelecido; deixaram-se absorver por ele, fundiram-se nele.

É por isso que nenhuns vestígios da passagem dos invasores chegaram até nós; nada os recorda no Concelho. Podemos somente descobrir no onomástico local influência sua na palavra Chozendo, de Flazen-(ihk, cuja ultima parte, segundo Leite do Vasconcelos, é germânica; e não pode ser negada a influência de carácter étnico, pelo cruzamento do seu sangue com o dos vencidos, atentos os três séculos do seu governo (411-712).

Somos, pois, forçados a concluir, logicamente, em virtude do que acima fica exposto, que o estado social de Cernancelhe teria permanecido quási o mesmo da época dos Romanos, e o seu Alfoz conhe­ceu apenas um governo novo que, na essência, pouco diverso seria do anterior.

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