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a Época Pre-histórica

Esta época que compreende a época da pedra (pedra lascada e pedra polida) o parto da época dos metais (bronze e ferro) diz respeito aos tempos mais antigos a que se pôde ascender. Dela não existem notícias escritas, só podendo reconstruir-se pelo estudo dos monumen­tos arqueológicos, chegados até nós.

Da época da pedra lascada, matéria prima dos primeiros utensílios, entre outros, de que o homem se devia ter servido, nas suas mais urgentes neces­sidades, nenhuns fragmentos têm aparecido no Concelho. Esta circunstância, porém, não excluo a hipótese da existência do homem neste período em terras de Cernanceine, porque os objectos desta rude civilização, existem, em geral, no subsolo, e nenhu­mas escavações se têm realizado para serem encon­trados.

Não acontece o mesmo com a época da pedra polida. Dois machados foram já encontrados, em Cernancelhe, um, dentro da povoação, outro, no monte da Cavaleira que lhe fica sobranceiro. São eles uma prova, só por si, de que a este pequeno tracto de terra não seria estranho o homem, no período neolí­tico. Esta hipótese é confirmada pelo aparecimento de objectos idênticos em povoações limítrofes ou quási limítrofes. No Arcozelo e Leonil, freguesias do vizinho concelho de Moimenta da Beira, foram encontrados machados de pedra, como noticiou o jornal «A Voz» em correspondência da localidade (').

A época dos metais (bronze e forro), apesar de mais próxima de nós, está mais falha de monumen­tos arqueológicos, pois nenhum machado de bronze ou instrumentos de ferro, desses períodos, foram aqui encontrados. Mas isto não e suficiente para negar a continuidade da existência do homem em Cernancelhe, na época anterior, porque parece con­firmá-la o aparecimento de antas (dolmens) e peda­ços de cerâmica grosseira, fabricada ainda sem roda de oleiro, nos lugares próximos; os quais alguns arqueólogos incluem já no período calcolítico, aurora da idade dos metais (2). Assim, muito próximo de Quintela da Lapa, ao sul da serra da Nave, encontrei dois dolmens, e sei que ainda existem, um intacto,' outro violado pêlos pastores. Na freguesia de Carapito que confina com Caria, que já pertenceu a Cernancelhe, encontra-se outro dolmen, junto das nascentes do rio Paiva, com esteios, galeria, câmara e lagea ou cobertura, e mais dois num planalto pró­ximo, onde não ha, em todas as direcções, uma única pedra, na distância dum quilómetro. Um desses está quási intacto; o outro, a que o povo chama Orqui-nha, violado. O nome da povoação de Antas, que já foi também do Concelho, não é alheio à existên­cia de antas ou dolmens, na localidade. O povo costuma impor nomes a legares ou povoações relacionados com os monumentos arqueológicos lá existentes ao tempo. O de Antas é como que o selo da vetustez da povoação, e mostra que não lhe devia ter sido estranha a existência do homem na época de que se trata.

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