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Os Caminhos de Aquilino Ribeiro "Itinerário Literário Aquiliniano

Referem-se ao roteiro turístico, ao guia de visita às Terras do Demo, e também a uma viagem à geografia afectiva de Aquilino Ribeiro

  Os caminhos da Beira Alta que se prendem com a obra de Mestre Aquilino, correspondem  aos concelhos de Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Sátão e Sernancelhe. Um roteiro de memórias e fascínios.

As montanhas e os vales, as gentes e os costumes que serviram de cenário a Aquilino Ribeiro, o escritor das "Terras do Demo", para uma parte significativa das suas obras, já têm um itinerário literário publicado em livro. As «Terras do Demo» situam-se numa área geográfica que abrange todo o concelho de Vila Nova de Paiva e parte de Moimenta da Beira, Sátão e Sernancelhe, no distrito de Viseu, estando presente em centenas de páginas do autor de «A Casa Grande de Romarigães», quer em romances e memórias, quer em crónicas e páginas de história.

O «Itinerário Literário Aquiliniano», permite ao leitor deambular pela Beira Alta, região que o escritor definiu como única no mundo porque - «em poucas dezenas de quilómetros, reproduz-se a Terra toda...»

    O itenerário corresponde aos «caminhos desbravados» às dezenas de obras do mestre de «Terras do Demo» pela sua Beira natal, no sentido mais lato e, a pouco e pouco, vai diminuindo a sua abrangência para se confinar àquilo que é, mais  ou  menos,  a  «Geografia Sentimental» aquiliniana. (...) Existe o Roteiro das «Terras do Demo» que é o apêndice que permite, 47 anos depois da publicação da «Geografia Sentimental», orientar hoje os interessados pêlos intrincados «atalhos» geográficos daquela que é uma das mais peculiares regiões do país: as Terras do Demo, centralizadas na Serra da Nave, mas sempre com vista para o Montemuro, o Caramulo e até a Serra da Estrela. As suas gentes, que ainda surgem ao visitante como «mensageiros de um tempo recuado» - rostos expressivos cuja alma está intrinsecamente ligada ao espaço físico, duro e cinzento no Inverno, quente e amarelo no Verão e que permitem, a quem se aventure nesta «viagem», perceber porque é que naquelas terras há «nove meses de Inverno e três de inferno (Verão)».

Ali, onde se sobrevive com o fruto de «montanhas de trabalho» aplicado nas pequenas leiras, como há 50 anos, continua-se a ter medo dos uivos dos lobos em redor dos rebanhos da Lapa e as noites ainda são feitas de lendas e de crenças míticas, como o «fauno» que anda pêlos bosques em busca das donzelas «desprevenidas». Aliás, «Andam Faunos pêlos Bosques» é, como se sabe, um dos romances do grande escritor.

Ainda há pessoas que retiram uma parte significativa do seu sustento das propriedades comuns (baldios) pêlos quais Aquilino Ribeiro se bateu no belo livro «Quando os Lobos Uivam», que o levou então a ser perseguido por Salazar (foi preso e julgado) porque era vontade do ditador plantar pinheiros onde o gado se alimentava e as pessoas recolhiam há séculos tudo que a terra lhes dava: água, lenha, estrume.

Ainda existem, nas «Terras do Demo», pessoas que não acreditam que o Homem tenha chegado à Lua, mas sabem que o tempo que vai fazer durante o dia só pelo cheiro que a terra emana ao acordar de madrugada. Ainda há pessoas que nunca foram a uma cidade, mas sentem que, «apesar de tudo», vale a pena viver nas terras que têm nome de Diabo (o Demo). Tudo isto e possível observar ainda hoje. Basta seguir este roteiro.

Das romarias, o centro espiritual ainda é a Senhora da Lapa e onde todos os anos, a 15 de Agosto, se «revivem» as velhas tradições religiosas e todo o «universo» que as acompanha: peregrinos (cada vez menos), mendigos, vendedores «honestos» e da «banha da cobra», homens de bastão e mulheres de merenda à cabeça.

Há também o património arquitectónico, religioso e particular, onde sobressaem o Convento das Freiras, em Moimenta da Beira, o Convento de São Francisco, na Vila da Rua, a Capela da Lapa, Sernancelhe, e os imensos solares da região, os miradouros situados próximo do Santuário da Lapa, de onde se vislumbra ao longe Aguiar da Beira (Sul), Trancoso (Este), Lamego (Oeste) e a Forca (Norte).

Nos dias de hoje, as diferenças entre a realidade e os relatos de Aquilino Ribeiro, feitos na vasta lista de obras publicadas, só nas vilas são perceptíveis, devido ao fenómeno da diáspora que nas décadas de 50 a 80 levou os «filhos do Demo» aos quatro cantos do mundo em busca de melhor vida. Tudo o resto, aldeias, lugarejos, caminhos, montes, vales e gentes, constituem uma espécie de «viagem ao passado».(...)

 Para os menos familiarizados com a obra de Aquilino Ribeiro, é quase obrigatória a leitura de «A Via Sinuosa», «Terras do Demo», «Andam Faunos Pêlos Bosques», «O Homem que Matou o Diabo», «Volfrâmio», «Lápides Partidas», «Cinco Réis de Gente», «Uma Luz ao Longe», «Quando os Lobos Uivam» e «O Malhadinhas».(...)

 

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